quarta-feira, junho 19

DOR DE COTOVELO DAS PESADAS (de elementos masculinos da 52a. Turma) por Flavio Soares de Camargo

7
318

TUDO COMEÇOU NA BEIRADA DA PISCINA DA ATLÉTICA…

Noragi e eu estávamos conversando numa hora de almoço, numa tarde sol, deliciosa!

Havia bastante gente da FMUSP e das escolas paralelas, agregadas ao CAMPUS da Dr. Arnaldo, que frequentavam a Atlética e aquela piscina de mármore que sempre foi o xodó das diversas turmas. Permitiam um bom entrosamento entre os alunos e aliviavam bastante a tensão continua de um curriculum universitário extremamente puxado.

Este dia, estava lotada e o papo corria solto, quando nosso querido Noragi começou a ficar pálido, estático, suando, olhos parados; a boca foi se abrindo, babando, diagnóstico evidente de um surto epiléptico se iniciando; mais que depressa, peguei minha toalha e fiquei esperando as convulsões que certamente não tardariam a acontecer; teria que enfiar aquela toalha suja, suada na boca dele para não morder a língua. Confesso que fiquei meio aterrorizado, pois naquela zoada geral, ninguém estava percebendo o que estava acontecendo.

Mas nada disto ocorreu, devagarinho ele voltou ao seu normal para meu alivio e gaguejando, ele falou : “-olha a figura que está justamente atrás de você”. Fui girando devagarinho para não pagar um mico e, realmente a poucos centímetros de nós, a mais bela figura feminina que eu já havia visto na vida! Peio visto, ele também… Num biquíni sensacional, uma loura de olhos azuis claros e corpo de modelo profissional, sorriso nos lábios, uma aluna do curso de obstetriz estava ali ao nosso lado conversando num grupo de amigas.

Acordei do transe quando o bom amigo Noragi falou que eu já estava com os olhos fixos na loura há mais de meia hora, sem falar e sem respirar. O mico que eu estava pagando era tão grande que as amigas dela tinham parado de falar e observavam o transe daquele pobre maluco, e se eu cairia desmaiado ou teria outro tipo de peripaque.

O nome da loura M.F., mais não dá para colocar aqui, seu irmão é colega nosso formado seis turmas depois. Talvez vocês podem ter adivinhado, pois também conviveram com a bela figura, assídua frequentadora da Atlética. Pessoa extremamente agradável, sorridente, feliz com a vida, além do que está escrito acima. Não sei do NORAGI, mas eu fui à luta: o máximo que consegui foi leva-la a assistir “2001, Uma Odisseia no Espaço”, num cinema da rua Augusta cujo nome não me lembro, com todas as suas amigas… e mais nada. Perder faz parte, mas dói pacas, e felizmente “não há bem que sempre dure nem mal que nunca se acabe”, o tempo cicatriza tudo. Demorou mas sarou.

Viagem a Europa, internato, formatura, espera do concurso para residência que não sabíamos como seria, colocou uma distância bastante segura daquele colapso quase fatal.

Eis que estando em Itanhaém, em férias pós formatura, esperando o concurso para residência, minha irmã Bia pediu que eu fizesse companhia para uma amiga dela que estava sobrando numa festa no Iate Clube local.

Eu não tinha cabeça para nada, pois dali a um mês seria o concurso que mudaria minha vida para sempre. Mas vamos lá pensei, ser gentil e cavalheiro não custa grande esforço, ainda mais para satisfazer minha querida irmã benfeitora da humanidade.

A amiga estava de costas, nem alta, nem baixa, mas bastante esguia, cabelos negros, pele morena conversando com amigos, e eis que minha irmã me apresenta a ela: a dama em questão se vira devagar, revelando um rosto perfeito, e me olha direto nos olhos sem pestanejar, um par de olhos verde claros acastanhados, rasgados, gateados, um sorriso acolhedor nos lábios, loucamente, desesperadamente bela, e CLICK lá fui eu de novo e de ponta. Pelo resto da festa fiquei em transe!

Final da festa, eu sabia que estava novamente completamente sem controle mas agora a luta seria diferente não levaria outro baile. MF tinha me ensinado tudo. A pergunta natural dela foi se eu iria aparecer amanhã e a minha resposta foi clara, quase com raiva: “Por amanhã não, volto para São Paulo cedinho para estudar, mas se for para um futuro, sim”! Ela arregalou os belos olhos, muito séria, pensou um pouco e falou:

“Estarei te esperando”.

Era a MÁRCIA!

7 comments

  1. Eduardo Berger 1 agosto, 2019 at 09:15 Responder

    Um “passarinho” me contou: MF era linda, quase tanto quanto nossa querida Marcia.
    Casou-se com um médico, também… que cuida muito bem dela! MF padece da mesma síndrome que Márcia.

    Vida… história… encontros e desencontros…

  2. Takanori Sakane 1 agosto, 2019 at 09:57 Responder

    Flavio, você me supreende a todo momento. Além de ser um bom médico, marido louvável, navegador, piloto, fazendeiro, é um escritor digno da Academia de Letras. Parabpens pelos artigos.

    • FLAVIO SOARES DE CAMARGO 3 agosto, 2019 at 14:55 Responder

      Viver é ter a coragem que você sempre teve, enfrentando desafios que surgiram e sonhos para serem transformados em realidade!

Leave a reply