domingo, julho 14

NOTÁVEL PEREIRINHA, O CARDIOLOGISTA DA 52ª

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Minha vida acadêmica na FMUSP Antonio Carlos Pereira Barretto (Pereirinha)

Ingressei na Faculdade de Medicina da USP em 1964 e desde aquela data até os dias de hoje todas as atividades que eu realizei foram e são ligadas à “Casa de Arnaldo”. Durante o Curso de Medicina, ao lado das atividades do curso regular na Faculdade e no Hospital das Clínicas, participei também das Atividades do Centro Acadêmico Osvaldo Cruz, sendo responsável pela confecção de apostilas das diferentes Cadeiras do Curso. Atuei na Associação Atlética do Centro Acadêmico, participando ativamente da Equipe de Remo e durante os treinos e competições convivi com colegas com os quais construí sólidas amizades, partilhando o entusiasmo dos campeonatos conquistados nas MacMeds. Fui Diretor do Remo no ano de 1968. Enquanto cursava o terceiro ano da Faculdade, durante o Curso de Propedêutica, então organizado pelo Prof Bernardino Tranchesi, fui por ele convidado para ser Monitor na recém inaugurada Enfermaria de Propedêutica. Acompanhava os pacientes internados na enfermaria realizando sua anamnese e exame físico e, posteriormente, apresentava os casos aos Assistentes da Enfermaria, Drs Renato Campi, Américo Nesti, Américo Antonio Friedmann e Hans Heidrich Kedor, quando os diferentes aspectos clínicos eram discutidos e aprofundados. Atuar na Propedêutica muito contribuiu para minha formação. Àquele tempo, os Prof. Bernardino e João Tranchesi selecionavam alguns alunos do terceiro e quarto anos para trabalharem em seu consultório particular fazendo a anamnese de seus pacientes. Após as consultas, discutíamos a anamnese e os aspectos relevantes dos casos, de forma a melhorarmos progressivamente a obtenção dos dados clínicos. Foram anos de intenso e sólido aprendizado, que me levaram a valorizar ainda mais o relacionamento médico-paciente e a importância para o clínico de uma história bem feita. Ao término da graduação, iniciei a Residência de Clínica Médica no Hospital das Clínicas, sendo o segundo ano realizado na 2a Clínica Médica, Serviço do inesquecível mestre dos cardiologistas o Prof Luiz V. Décourt. Após a Residência prestei concurso, tornando-me Preceptor da 2a Clínica Médica durante o ano de 1972. Organizei as atividades dos internos e residentes da 2a Clínica Médica, realizando e orientando inúmeros seminários sobre as diferentes cardiopatias. Durante todo o Curso da Faculdade, da Residência e da Preceptoria mantive contato com a Enfermaria de Propedêutica, auxiliando na formação dos alunos que por lá faziam estágio. Fui contratado pelo Hospital das Clínicas em junho de 1973, aos 26 anos, para atuar na Enfermaria de Propedêutica, passando a responsável pela orientação dos leitos e pela condução de um ambulatório de Cardiologia Geral. Com o falecimento do Prof. Bernardino Tanchesi, assumiu a Enfermaria e a Disciplina de Propedêutica, o Prof. Luís Gastão do Serro Azul, com quem trabalhei até 1980. Durante sete anos participei ativamente do Curso de Propedêutica aos alunos do 3o ano de nossa Faculdade, ministrando aulas práticas, à beira de leito, e também aulas teóricas, tendo ficado responsável pelas aulas de ausculta cardíaca. Concomitantemente ao trabalho na Enfermaria de Propedêutica, passei a atuar no setor de Fonomecanocardiografia com os eminentes Prof. João Tranchesi, chefe dos Métodos Gráficos e Prof. Ermelindo Del Nero Jr, Chefe do Serviço da Fonomecanocardiografia. Desta dupla atuação extraía valiosos conhecimentos que utilizava para ensinar Propedêutica, apresentando imagens fonocardiográficas para ilustrar as aulas de ausculta, tornando mais fácil a compreensão dos fenômenos acústicos gerados pelo coração. Iniciei minha vida científica nestes dois Serviços, passando a realizar trabalhos empregando a Fonomecanocardiografia como método de investigação. Participei da elaboração de vários artigos científicos e Dissertações de Mestrado, Teses de Doutorado e Livre Docência, que utilizaram a fonomecanocardiografia como método de avaliação dos pacientes estudados. É desta época o início de meu interesse pelas Miocardiopatias e Insuficiência Cardíaca, tema da maioria dos estudos dos quais participei desde então. Àquele tempo muitas das pesquisas realizadas utilizavam a medida das variáveis sistólicas e do quociente sistólico, método inovador de avaliar de maneira não invasiva a função cardíaca. Com base nos dados da Fonomecanocardiografia, estudando a Derivada do Pulso Carotídeo na Insuficiência Cardíaca, fiz minha Dissertação de Mestrado, orientado pelo Prof. Luís Gastão do Serro Azul, em 1977. Paralelamente às minhas atividades na Faculdade de Medicina da USP e no Hospital das Clínicas, no ano de 1971, residente do 2º ano, fui convidado a dar aulas na Faculdade de Medicina de Jundiaí, auxiliando o Prof. João Tranchesi, no curso de Propedêutica para alunos do terceiro ano. Foram anos de grande aprendizado na convivência com o Prof João Tanchesi, que analisava as aulas que administrava, no conteúdo e forma, e fazia críticas para aperfeiçoá-las. Com o término da Residência permaneci nesta Faculdade, sendo contratado como Professor Assistente da Faculdade de Medicina de Jundiaí, dando aulas de Propedêutica para o terceiro ano, de Cardiologia para o quarto ano e, posteriormente, orientando o Internato no Hospital São Vicente de Paula. Com o falecimento do Prof. João Tranchesi, permaneci na Faculdade, e, juntamente com o colega Prof Dr Fausto Hironaka, fiquei responsável pelos cursos de Propedêutica e de Clínica Médica da Faculdade até 1982. Permaneci na Faculdade de Medicina de Jundiaí por quase 10 anos, de lá saindo quando passei a cumprir tempo integral no Instituto do Coração. Em 1980, com a ampliação do InCor e a criação de novos serviços, aceitei o convite para assumir a direção da Equipe de Cardiologia Geral, equipe esta responsável pelo atendimento e orientação das Miocardiopatias e Doenças da Aorta do Hospital. Passei então a organizar o acompanhamento dos pacientes portadores de miocardiopatias do Hospital que, até então, não era normatizado. Para o atendimento dos casos fez-se necessário ampliar a equipe, o que permitiu que fossem desenvolvidas áreas de pesquisa em Miocardiopatias. Iniciou-se então o estudo sistemático das diferentes Miocardiopatias, criando-se linhas de atuação e pesquisa para cada médico do serviço. Assim, foi criada a primeira equipe de Cardiologia Geral, dedicando-se a Dra. Bárbara Maria Ianni ao estudo da Forma Indeterminada da Doença de Chagas, o Dr. Edmundo Arteaga ao estudo da Miocardiopatia Hipertrófica, o Dr Demétrio Dauar ao da Endomiocardiofibrose, o Dr Martino Martinelli ao Marca-passo e o Dr Charles Mady ao da Doença de Chagas, iniciando-se uma fase muito produtiva que resultou em vários trabalhos que foram Temas-Livres em congressos e publicações em revistas médicas. Com a organização da primeira equipe da Cardiologia Geral, dediquei-me mais diretamente ao estudo da biópsia endomiocárdica nas diferentes Miocardiopatias, em especial na Doença de Chagas. Com o posterior desligamento do Dr Demétrio Dauar, dei continuidade ao estudo sistematizado da Endomiocardiofibrose, publicando e apresentando os resultados obtidos em congressos científicos e revistas nacionais e estrangeiras. Graças à experiência crescente e os resultados obtidos com o estudo sistemático das Miocardiopatias nossa equipe passou a ser referência no Brasil para as doenças do músculo cardíaco. Sempre procurei realizar pesquisas com as disciplinas da Faculdade e do Hospital das Clínicas, produzindo trabalhos em conjunto com o Serviço de Anatomia Patológica, com a Gastroenterologia, com a Reumatologia e com as Moléstias Infecciosas. Tendo sido reconhecida a qualidade das pesquisas que desenvolvi no estudo das Miocardiopatias e da Insuficiência Cardíaca, passei a ser convidado a participar de diversos eventos científicos como palestrante, atividade que se estende até os dias de hoje, e muito me gratifica a perspectiva de divulgar no Brasil e no exterior o nosso trabalho de pesquisa na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Os vários estudos que realizei com portadores da Doença de Chagas em diferentes estágios de evolução, através da biópsia miocárdica, permitiu-me conhecer a provável forma de evolução da doença miocárdica, sendo este o tema de minha Tese de Doutoramento, em 1982, tendo como orientador Prof Luís Gastão do Serro Azul. Este foi o primeiro estudo em pacientes vivos a analisar a progressão da lesão miocárdica. Para a Livre Docência, em 1985, estudei a forma indeterminada da doença de Chagas, estágio da doença reconhecidamente com boa evolução, que vinha até então sendo investigada por diferentes métodos de avaliação cardiológicos, cada um deles identificando percentual de pacientes com alterações cardíacas, o que sugeria que os portadores desta forma da doença já teriam comprometimento miocárdico. Investiguei os portadores da forma indeterminada da doença de Chagas utilizando vários exames simultaneamente e documentamos, pela primeira vez, que todos os portadores desta forma da doença já apresentam alterações cardíacas, que são discretas e que não têm impacto na sobrevida dos portadores. Estes resultados mostraram que a forma indeterminada é uma doença polimórfica, semelhante à forma crônica, porém de evolução benigna. As Teses que desenvolvi, de Doutoramento e de Livre Docência, abordaram aspectos relevantes sobre a doença de Chagas, levando a um maior conhecimento desta moléstia, sendo citadas até hoje, pois foram conceitualmente inovadoras. Com o acompanhamento sistemático de um grande número de portadores da Endomiocardiofibrose e conhecendo cada vez melhor a doença, pude constatar que seus portadores evoluíam muito mal. Embora seja uma forma rara de miocardiopatia, acompanhamos no Hospital das Clínicas mais de 150 casos da doença. Com o seguimento destes pacientes foi possível quantificar o grau de comprometimento dos ventrículos. Fomos os pioneiros a descrever que a obliteração dos ventrículos poderia ter intensidade variável. Descrevemos, através da imagem ventriculográfica, uma forma de quantificar a intensidade da fibrose endomiocárdica na doença. Com os dados obtidos no acompanhamento, pudemos observar que, diferentemente do que se considerava, o comprometimento do ventrículo esquerdo era bem tolerado, mesmo naqueles com intensa fibrose e que uma possível correção cirúrgica só estaria indicada se, além da obliteração do ventrículo, o paciente tivesse também insuficiência mitral. Nos casos de comprometimento do ventrículo direito, a intervenção precoce estaria indicada para os casos com fibrose moderada ou intensa, para prevenir a deterioração hepática e renal responsáveis pela má evolução dos pacientes. À frente da Cardiologia Geral dei aulas práticas para os alunos do 4o ano da Faculdade, na disciplina de Cardiologia. Durante estes anos fui responsável pelas aulas teóricas sobre as Miocardiopatias. Ensinar sempre me levou à reflexão sobre o entusiasmo que tenho em contribuir à formação dos mais jovens, como também de, até hoje, manter o empenho em transmitir a experiência adquirida àqueles que iniciam a carreira ávidos por aprender. Em 1995, com a aposentadoria do Prof Luís Gastão de Serro Azul, o Prof. Fúlvio Pileggi convidou-me a exercer o cargo de Diretor do Serviço de Prevenção e Reabilitação Cardiovascular do InCor, denominada Divisão de Cardiologia Social. O convite trazia um novo desafio, a responsabilidade de organizar estes serviços. Reorganizei cientificamente o Serviço de Condicionamento Físico, àquele momento pouco produtivo, e que agora se encontra entre os de melhor produção científica no InCor, contando com a colaboração do Prof. Carlos Eduardo Negrão e assistentes. Em sua grande maioria, as pesquisas realizadas abordam diferentes aspectos do exercício físico na Insuficiência Cardíaca. Concomitantemente à direção da Divisão de Cardiologia Social, passei a organizar e dirigir o Serviço de Cardiologia do Hospital Auxiliar de Cotoxó do Hospital das Clínicas da FMUSP. Ao assumir o Serviço, o Hospital Auxiliar de Cotoxó destinava-se a ser uma Enfermaria de Retaguarda do Instituto do Coração, para pacientes com doenças crônicas. Estruturando as enfermarias e treinando as equipes, mudamos progressivamente o perfil dos pacientes admitidos no Hospital, passando a atender também pacientes agudos, o que tornou o Hospital valiosa retaguarda do Pronto Socorro do InCor. O atendimento dos pacientes com Insuficiência Cardíaca Descompensada transformou o Hospital de Retaguarda também em um centro difusor de conhecimento sobre Insuficiência Cardíaca. Com o atendimento normatizado destes pacientes, tornou-se possível criar temas de pesquisas para Teses de Doutorado dos Assistentes do Hospital e de novos médicos que nos procuravam para fazer Pós-Graduação senso estrito em nosso Serviço. Tendo como base os casos atendidos no Hospital Auxiliar de Cotoxó foram realizadas treze Teses de Doutoramento. O acompanhamento dos pacientes com Insuficiência Cardíaca nas Enfermarias mostrou-nos que a doença tem má evolução. Os primeiros estudos que realizamos analisaram os fatores implicados nesta má evolução. Identificamos paulatinamente uma série de preditores. Os estudos que realizamos atualmente são baseados na análise das propostas de mudanças na conduta, que possam modular os fatores prognósticos e melhorar a evolução dos portadores da Insuficiência Cardíaca. Os resultados obtidos com este aprimoramento começaram a aparecer quando comparamos a evolução de nossos pacientes em dois períodos consecutivos, observando uma redução de mortalidade de cerca de 50% entre os pacientes atuais em relação aos do período anterior a 1990. Vários trabalhos foram e estão sendo realizados a partir destes resultados favoráveis, como o uso de inotrópicos na Enfermaria, FAST-Carvedilol, o uso de múltiplos vasodilatadores na compensação da Insuficiência Cardíaca avançada e a redução da dose de diuréticos com o intuito de diminuir a frequência dos quadros de insuficiência renal. Durante toda minha vida acadêmica, mantive produção científica assídua e regular. Os resultados vêm sendo apresentados em congressos de cardiologia no Brasil e no exterior e publicados em revistas brasileiras e internacionais. Foram 903 temas livres, 760 no Brasil e 143 no exterior e 434 artigos e capítulos de livros, sendo 57 em revistas estrangeiras. Estes artigos publicados foram citados 1249 vezes. Publicações por períodos de 10 anos Citações dos Artigos Publicados por períodos de 10 anos A obtenção de subsídios financeiros para as pesquisas tem sido um ponto de minha atenção nos últimos anos, tendo conseguido apoio da FAPESP para seis estudos, três finalizados e três em andamento, sendo dois deles projetos temáticos no Serviço de Reabilitação em associação com o Prof Carlos Eduardo Negrão. Temos tido participações em Estudos Multicêntricos e nos últimos cinco anos trouxemos para nossa Instituição cerca de 300 mil dólares. Estes recursos nos possibilitaram a melhora da qualidade das pesquisas, incorporando aos métodos de avaliação realizados no Hospital Auxiliar de Cotoxó a hemodinâmica à beira do leito. Com a implementação desta técnica, iniciamos diferentes estudos de avaliação dos esquemas terapêuticos utilizados no tratamento da Insuficiência Cardíaca descompensada, tendo três deles sido aprovados pela FAPESP. A atividade didática tem sido uma das minhas prioridades desde a residência até os dias de hoje. Nos primeiros 12 anos após minha graduação, ministrei aulas para os terceiro e quarto anos nos Cursos de Propedêutica e de Cardiologia de nossa Faculdade e na Faculdade de Medicina de Jundiaí. Ministrei aulas práticas e teóricas. Com a minha transferência para o InCor e assumindo a Equipe de Cardiopatias Gerais, continuei ministrando aulas para os alunos do 4o ano na cadeira de Cardiologia. Com a reestruturação da Pós-Graduação em 1996, tornei-me responsável pela Disciplina de Miocardiopatias e Doenças dos Grandes Vasos da Base, ministrando cursos para cerca de 40 doutorandos. Nos últimos 20 anos assumi a organização e orientação dos estágios de longa duração do InCor, que hoje recebem anualmente cerca de 24 médicos de todo o Brasil para um estágio de dois anos. No Hospital Auxiliar de Cotoxó recebemos mensalmente de quatro a seis estagiários que passam dois meses pelas suas enfermarias. Nesse estágio discutimos sistematicamente a importância de uma boa anamnese e do exame físico, destacando que os exames complementares auxiliam no diagnóstico, mas que a hipótese clínica, bem elaborada, é soberana. São realizados durante o estágio seminários semanais sobre as principais doenças observadas nos pacientes internados. Trabalhando em harmonia com as outras disciplinas da Faculdade, há dez anos recebemos, mensalmente, residentes e estagiários do Serviço de Geriatria do Hospital das Clínicas. Nos últimos anos realizei vários projetos de atualização em Hipertensão Arterial e Insuficiência Cardíaca, criando Ciclos de Palestras que foram divulgados por todo o Brasil. Nesta mesma linha, tenho escrito revisões sobre diferentes temas da Cardiologia, principalmente sobre Insuficiência Cardíaca, que são distribuídas para os Cardiologistas do país inteiro. Criei o Jornal da Insuficiência Cardíaca, distribuído a cada quatro meses para mais de 8.000 cardiologistas de todo o Brasil, por 10 anos. A Insuficiência Cardíaca aguda descompensada tem sido o meu mais recente tema de pesquisa e atuação. Como ensinar os médicos a tratá-la é um desafio. Iniciamos em 2007 um projeto que traz médicos do Brasil todo para discutir a conduta à beira do leito. Durante os últimos três anos, 155 médicos passaram uma manhã no Hospital Auxiliar de Cotoxó, realizando visita às enfermarias, discutindo o diagnóstico e o tratamento de casos de Insuficiência Cardíaca descompensada. As visitas terminam com uma aula que procura sistematizar o tratamento, fundamentado pelos dados da experiência do Serviço. O programa continua e continuamos recebendo novos grupos de diferentes regiões de São Paulo e do Brasil. Neste ano de 2019, ano que completo 50 anos de formado lanço o Livro descrevendo as atividades realizadas no Hospital Auxiliar de Cotoxó, 30 anos de experiência tratando Insuficiência Cardíaca em Hospital sem Terapia Intensiva. Ao lado das visitas, considerando não ser fácil a abordagem teórica da Insuficiência Cardíaca Descompensada, desenvolvi em conjunto com os Drs Manoel Fernandes Canesin e Mucio Tavares de Oliveira Jr, o SAVIC (Suporte Avançado de Vida em Insuficiência Cardíaca Descompensada). Neste programa, utiliza-se sistemática semelhante ao do SAVC – Suporte Avançado de Vida (ACLS da American Heart Association). Cada inscrito recebe com antecedência o manual de atendimento e orientação do tratamento da Insuficiência Cardíaca Descompensada. Em programa de dia inteiro os participantes fazem o curso teórico-prático com manequins, em três estações práticas, nas quais diferentes aspectos da Insuficiência Cardíaca Descompensada são simulados e o tratamento da doença é discutido e sistematizado. Com esta abordagem estamos sistematizando o tratamento da descompensação cardíaca o que resultará em melhor atendimento dos pacientes. Já foram realizados mais de 50 SAVICs e desde 2010 ele passou a ser uma atividade de atualização oferecida pela SOCESP. Todos os anos o curso é realizado nos Congressos da SOCESP e nos Congressos organizados pelo Departamento de insuficiência cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DEIC). Há quatro anos o SAVIC foi implementado em Portugal, sendo forma aprovada de treinamento de médicos no pais. Há dois anos o curso está sendo ministrado também nos Estados Unidos na Carolina do Norte, com aceitação crescente pela comunidade médica americana. Em 2002 fui eleito Vice-Diretor clínico do InCor, escolhido pelos diretores dos Serviços Clínicos do Hospital, sendo reconduzido em 2004. Nesta atividade organizei o atendimento dos ambulatórios entre as várias equipes, procurando adequar o atendimento à demanda do Hospital. É deste período a criação do Hospital Dia e da ampliação do número de leitos disponíveis para estudos Hemodinâmicos. A nossa instituição foi pioneira na utilização do Hospital Dia para pacientes cardiológicos. Este atendimento reduziu o tempo de permanência dos pacientes com Insuficiência Cardíaca no Pronto Socorro e permitiu também uma redução no tempo de hospitalização de muitos casos. Ao lado de minha atividade na Faculdade participo das Sociedades Médicas, tendo sido presidente da Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, Diretor de Publicações da Sociedade Brasileira de Cardiologia e atualmente Vice-Presidente do Grupo de Estudos de Insuficiência Cardíaca da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Durante os dois anos de gestão na Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo, nossa diretoria fez o primeiro Tratado de Cardiologia da Sociedade, que recebeu o premio Jabuti, pela sua qualidade e aceitação pelos cardiologistas brasileiros. É de nossa diretoria a criação da atual Revista da SOCESP, que a cada dois meses apresenta uma revisão de um tema de Cardiologia, analisado de diferentes ângulos pelos cardiologistas paulistas das diferentes instituições da capital e do interior do estado. A Revista mantém estas características até os dias de hoje, e pela qualidade que apresenta é aguardada pelos médicos de todo o Brasil. Na Sociedade Brasileira de Cardiologia fui Tesoureiro do Departamento de Hipertensão no biênio 1984-1985 e o primeiro Diretor de Publicações da Sociedade Brasileira de Cardiologia (biênio 1994-1995) que, até então, tinha somente o Diretor dos Arquivos Brasileiros de Cardiologia. Criei nesta época o Jornal da SBC, que se tornou o Jornal de comunicação da Sociedade. O jornal tem sido aprimorado, e também mantém as principais características desde a sua criação. Atuei também no Conselho Regional de Medicina (CRM) no comitê de Cardiologia, contribuindo na análise dos processos para lá enviados por alguns anos. Nestes anos de atuação vejo que vários desafios foram vencidos. Desenvolvi linhas de pesquisa em Insuficiência Cardíaca e Miocardiopatias com contribuições e parcerias relevantes. Ao lado das atividades científicas e didáticas exerci intensa atividade de extensão universitária junto às Sociedades Médicas. Criei revistas, escrevi livros e revisões que fornecem atualização aos colegas de todo o Brasil.

2 comments

  1. Flávio Soares de 23 julho, 2019 at 21:13 Responder

    Olá Pereira, quem o conheceu como colega de classe, no curso de graduação na FMUSP, conhecia seu potencial; e que bela vida acadêmica que você está compartilhando com seus colegas da 52 turma! Obrigado!

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