sexta-feira, fevereiro 23

QUEM FOI DA 52ª… JAMAIS DEIXARÁ DE O SER Eduardo Berger

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No quesito nostalgia, certamente, este post receberá nota 10 de todos!

Rolava o ano de 1964, era fevereiro, e nossa querida 52ª iniciou sua trajetória com 103 felizes membros – 101 aprovados no vestibular mais concorrido do País e dois bolsistas, intercambistas: um boliviano e um sino-panamenha! Todos receberam, orgulhosamente, seus diplomas de BURRO (vejam a data 12/03/1964!)

RECORTES DE JORNAIS DA ÉPOCA

Quis o destino que, ao longo dos nossos seis anos de curso, quinze desses colegas não obtivessem a promoção para o ano seguinte – inclusive por perseguição política, pois como bem se lembram, o Brasil vivia o período em que as liberdades civis não eram plenas…

Apesar de não terem se graduado na 52ª, permanecem em nossos corações como amigos queridos! Abaixo listados e entre parênteses a turma em que se formaram:

Akeho Ogihara  (53ª)
Atsushi Terahata  (53ª)
Carlos Alberto Martinez   (53ª)
Ciro Napoleão Berni Júnior   (55ª)
José Cipolla Neto   (54ª)
José Carlos Saraiva   (53ª)
Mário Martins Filho   (53ª)
Moyses Lam   (53ª)
Osvaldo Tempestini   (53ª)
Rafael Paulino Restituti   (53ª)
Roberto Simão Mathias   (53ª)
Taki Kayano   (54ª)
Maria Emilia Carreira Brites   (?)
Pio Pereira dos Santos   (Santiago – Chile)
José Antonio de Adura Miranda (Université de Montréal Faculté de Médecin – 1973)

Com exceção da Maria Emilia Carreira Brites e do José Carlos Saraiva, eles estão perpetuados na “memória” deste site, através de flagrantes de nossa vida acadêmica – veja abaixo:

 José Antônio Adura Miranda, atento às “artes neuro-fisiológicas”

José Cipolla Neto e seus dotes atléticos

Na torcida da XXX MAC-MED, Rafael Restituti, Akeho Ogihara e Mario Martins Fº

No Baile do Calouro (1964), o encantamento da “gatinha” caloura (Léa Lederer), com o mais charmoso dos colegas (Mario Martins Filho – Marito)

“JA-JU”: o “árbitro” José Cipolla, o atleta Moysés Lam e o papagaio de pirata, Marito

No momento em que o notável mestre e amigo, Professor Eros Abrantes Erhart, se preparava para dar o pontapé inicial do JA-JU: Moysés Lam “enxertado” (já era da 53ª…)

 

Na AAAOC, Pio Pereira dos Santos, agachado na “ponta esquerda”, Atsushi Terahata no fundão

Numa confraternização… olha aí, o Pio de novo!

Pio, bem participativo!

 

Taki Kayano, Roberto Mathias, Akeho Ogihara em nossa primeira Mac Med (1964)

“JA-JU”: atletas Taki Kayano e Atsushi Terahata

 

CAI CAP! Grande participação de Osvaldo Tempestini!

 

O “grande” Carlos Alberto Martinez e o “pequenino” Ciro Napoleão Berni Junior

 

Os do “fundão”… dormindo – o Tempestini atento!

Passeata da XXX MAC-MED: Terahata, Rafael Restituti, Marito, Akeho

Terahata “orientaliza” os olhos do mineirinho – dos demais não era necessário…

SURPRESA!! O Adura apareceu no jantar da Taverna Di Salerno (1992) !!

IDENTIFICAÇÃO DOS PRESENTES NA FOTO ANTERIOR

Na comemoração dos 25 anos de formatura, no Scandall (1994), nenhuma surpresa. Esteve

conosco, o José Cipolla Neto, convidado permanente e sempre bem vindo na SUA 52ª!

5 comments

  1. Eduardo Berger 26 dezembro, 2020 at 20:15 Responder

    “JAMAIS DEIXAREI DE SÊ-LO… MAS QUASE NÃO FUI”!!

    O exame vestibular para a MEDICINA/1964 foi conjunto com a Faculdade de Medicina de Campinas (poucos anos depois UNICAMP), e promovido pelo CESCEM (Centro de Seleção de Candidatos às Escolas Médicas e Biológicas) – aos 100 primeiros classificados, o direito à primeira opção: a sonhada Casa de Arnaldo. Os 50 (60?) seguintes seriam os componentes da 2ª Turma, da conceituada Instituição da “Cidade das Andorinhas”.

    Foi uma árdua batalha para nós, os milhares de candidatos (4 mil? 5 mil?). A primeira fase constou de 3 provas: Física, Química e Biologia, realizadas em escolas públicas (?), semanalmente. Isso “reduziu-nos” a 400 candidatos, que iriam enfrentar a segunda fase, representada pela prova de Português/Inglês.

    A noite da véspera: férias escolares, meus pais, meus irmãos, todos na praia… eu, com 19 anos, sozinho em casa! “Preciso dormir logo” – pensei – “a prova começa cedo, não posso me atrasar!” Quero lembrar que, naquela época, “motel era um local para se hospedar, situado em beira de estrada”… Foi inevitável! Transformei a casa de minha santa mãezinha, num parque de diversões para mim, um jovem que queria ser médico. Tal aventura foi até uma 3h30, contando o tempo de eu levar a garota para casa…

    Usei 3 despertadores: o meu na cabeceira à direita, o do irmão, à esquerda e o do pai, no chão, ao pé da cama. O alarme programado nos três, a cada 5 minutos… e adormeci.

    Tocou o primeiro, lépido, acordei totalmente lúcido, e falei pra mim mesmo: “precisa levantar… vestibular hoje” – mas, adormeci para esperar o segundo alarme; a cena se repetiu… e o terceiro, nem ouvi, tão profundo o sono! De repente, toca o telefone: “de onde falam”? Eu dou o número e ele pede desculpa, foi engano!! Dou uma olhadinha no relógio e vem o sobressalto: a prova começará em 5 minutos!!

    O que se seguiu: pulei dentro das calças, enfiei o sapato sem meia, a camisa nas mãos e sai correndo; era domingo, trânsito zero, meu fusca vermelho estava acostumado com o peso do meu pé! Eu morava na Vila Clementino, junto ao Instituto Biológico, basicamente eu tinha que vencer a Brasil e a Rebouças, e “bati o recorde da pista” – sequer parei em semáforos no vermelho (isto seria impossível hoje!); Senna usava fraldas, Schumacher não era nem projeto, mas não acredito que fariam melhor!

    O portão central, a frente do busto de Arnaldo, ficava aberto, o grande pátio era liberado para o estacionamento (lotado!); não procurei vaga, com chaves no contato, de porta aberta, larguei o carro ao pé de “nosso fundador”, ele não reclamou, eu fui em frente. Correndo, entrei no prédio, deparei com uma placa ao pé de nossa Escada Sagrada, indicando com setas o anfiteatro para onde me dirigir. Mal consegui ler, segundo andar, a direita… eu ainda estava dormindo! Um senhorzinho de gravata e avental branco me orientou – era o Secretário da Casa!

    Prova já iniciada há poucos minutos (segundos?), porta do anfiteatro fechada! Eu bato – me atende um senhor, era um assistente da fisiologia que me diz: -“Não poderá fazer a prova…” Eu gelei, ele continuou: – …”assim desse jeito, todo descabelado”! – e me entregou um pente, que de pronto usei… Fiquei sem saber se ria ou se chorava, se o abraçava ou beijava, como agradecer tal amparo? Não irei homenagear esse meu salvador – esqueci seu nome, seu rosto (talvez Xará Verani, Domingos, Decio, Egidio, possam ajudar no resgate dessa memória, e eu corrija essa absurda ingratidão). Ele puxou uma carteira solta e a colocou bem a frente, junto a parede – me fez sentar nela, o nariz quase encostando no quadro-negro, me entregou o caderno da dizendo: -“Essa prova tem tempo máximo de 3 horas, você já perdeu uns bons minutos”

    Com fome e sede, mas de cabelos penteados, continuei no mesmo ritmo que estava, desde que atendi aquele “engano telefônico” – fiz a prova a jato, mais por instinto… não me lembro de nada – terminei, olhei em volta, a sala cheia… ninguém havia entregado! Perguntei “quanto tempo tenho ainda” a um bedel de olhos arregalados, “ainda temos uma hora e vinte minutos de prova!” Me deu uma vergonha enorme, mas as necessidades fisiológicas falaram mais alta: fui o primeiro a entregar a prova.

    Essa história teve um final feliz, vocês sabem…

  2. Marisa 23 agosto, 2022 at 13:24 Responder

    História fantástica, Berger. Para sorte nossa você foi acolhido apesar do atraso. Continue cuidando da nossa turma querida. Nós te agradecemos muito por todo o trabalho que você tem dedicado à 52a turma da FMUSP.

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