quarta-feira, fevereiro 28

JUDOCA DE IMPROVISO, Flavio Soares de Camargo

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Foi no MED-ITA…

Nossa equipe de judô estava desfalcada.
O Atsushi Terahata era o grande destaque da MED, mas faltava um elemento para não perdermos por WO. Eu era um simples faixa verde e jamais teria alguma chance neste jogo meio perigoso, quando o gentil Tera teve uma ideia: -“te ensino a cair sem se machucar, te empresto um quimono velho com uma faixa preta já bem gasta e você vai pra o enfrentamento, de tal forma que o oponente vai ter dúvidas quem realmente você é. Aí você tenta o empate.” Vocês se lembram que eu era um “fiapo de gente” de tão magro…

Lá fomos nos para a batalha, o estádio com a torcida do Ita urrando! O Tera lutava meio sujo e da 52ª só tinha eu e ele – os demais eram das outras turmas. Me lembro que o “cavalo” do João Radvani (51ª), que tinha uma força descomunal mas era nadador, tinha algum treino e estava conosco na equipe também. Fui escalado para a última luta. Perdemos as duas primeiras. Aí foi a vez do Radvani, ele simplesmente pegou o “iteano”, girou-o no ar e o jogou no tatame. Vez do Terahata, seu oponente era o melhor lutador do Ita. O Tera o conhecia de outras pelejas e sabia que teria que lutar da pior forma possível para ter alguma chance, mas esta justamente era sua especialidade: jogar sujo. Não deu outra, faltou enfiar o dedo no olho e chutar o saco do adversário! O resto ele fez e ganhou com algumas advertências do juiz.

Empatado. Minha vez! Eu podia ser um fiapo, mas era um azougue. Olho no olho, a turma do Ita depois de duas lutas bem deselegantes e eles perdendo, agora queriam ver sangue no tatame e sair um hipon para vencer. O meu oponente era faixa marrom, quadrado de forte, e eu aquele fiapo disfarçado de faixa preta. Se realmente eu fosse quem eu parecia ser, teria que ser extremamente cuidadoso para tentar um empate também. Vencer pouco provável. Foi um “girar atrás do rabo do outro” até os minutos finais, a turma do Ita esgoelando para ver um final sanguinolento, e não se ouvia um pio da nossa turma. Acho que estavam rezando! Aquilo não poderia acabar bem para mim… A poucos segundos do término do tempo, o adversário conseguiu uma boa pega no meu quimono, entrou por baixo e eu subi aos céus como num elevador! E como tudo que sobe desce, lá fui eu para o tatame. A turma nossa ria de forma descontrolada pois o truque quase que deu certo!

Eles devem ter ficado pensando que éramos loucos masoquistas por comemorar tanto uma derrota!

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