domingo, julho 14

Américo Lourenço, eterno! Eduardo Berger

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À frente do mural dos diretores do SHOW MEDICINA, o “chefe” de todos nós

“Casa de Arnaldo: poderias te chamar Casa de Américo”…

Faltavam poucos meses para que completasse um século de vida, praticamente em sua totalidade dedicada à Faculdade, quando o português se foi em sua derradeira viagem. Consta que, esse guardião da Casa de Arnaldo, em sua chegada ao céu, tenha sido “saudado por São Pedro como se fosse um colega de trabalho”! Perdoem a blasfêmia, mas o Américo, para nós que privamos de seu convívio, mereceria tal honraria.

O lindo edifício da Pinheiros começou a ser erigido em 1928 e o Américo presenciou, digo, iniciou a jornada de sua construção, trabalhador braçal que era, desde as fundações. Dr. Arnaldo não teve a mesma sorte, faleceu precocemente, poucos meses após a colocação da pedra fundamental, oito anos antes…

E o Américo foi ficando… assentou muito tijolo, foi até o final da construção e esteve na inauguração, em 1931; depois, foi da manutenção, limpeza, segurança… fez de tudo! Chegou ao topo da carreira como chefe da zeladoria e ganhou o direito de morar dentro da área da Faculdade! Lembram da casinha dele? Naquela ruazinha arborizada que, desde a entrada da Dr Arnaldo, margeava o prédio indo até a Eneas Carvalho de Aguiar? Foi lá que o conhecemos, ao lado de sua doce Alzira e do filho Jorge.

Suas brigas com o Dr. Dante Nese eram homéricas! E o português enfrentava a fera, mesmo! No fundo se respeitavam, “cada um na sua”.

Para o SHOW MEDICINA, ele foi um pai – um avô, talvez bisavô, tantas as gerações de colegas que com ele privaram daquele convívio que é impossível ser explicado… A amizade dos participantes com o Américo transcendia a tudo que eu conheci até então! E o SHOW era a vida dele: assessorava toda a montagem, estrutura, logística e subia ao palco todos os anos para ganhar, solenemente, a flâmula comemorativa; ao fazê-lo, bradava para a platéia lotada: -“ESSE É O ÚLTIMO”!! (a perspectiva da morte o acompanhava nos seus últimos anos de vida) – e ele foi ficando…

Poucos anos depois de nossa formatura ele se aposentou, mudou-se para a Vila Madalena mas continuou frequentando “a sua casa” de Arnaldo, todos os dias!

Diziam que ele nunca morreria, já fazia parte da própria estrutura da “Mãe Faculdade”… pois bem, nós, seus amigos, o eternizamos numa estátua que enfeita a frente do teatro da Faculdade, perpetuando o carinho, o cuidado, a guarda, que ele sempre desempenhou por ele.

O dia da inauguração (além de Arnaldo, só o Américo nos nossos jardins!)
Planejada para ser feita em bronze, pelo risco de ser roubada e derretida, o foi em aço
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Américo, meu Américo, meu portuguesinho querido! Que saudade matadeira de você e dos “velhos bons tempos”!  Os olhos se molham sem eu querer…

4 comments

  1. eduardo berger 2 maio, 2018 at 22:04 Responder

    COLETADO DE PAULO TAUFI MALUF JUNIOR

    Reiterando, nosso português foi sim pedreiro na construção da Casa de Arnaldo…
    Conto um fato curioso sobre sua vida: na Guerra Civil Espanhola havia uma líder republicana, Isidora Dolores Ibárruri Gómez, chamada “La Pasionaria”, cuja frase famosa era “No pasarán”, sobre não deixar os franquistas entrarem em Madri. Pois bem, o Américo, sem nunca ter ouvido falar nesse assunto, foi a nossa “Pasionaria”! Por ocasião da Revolução Constitucionalista de 1932, quando uma tropa federalista quis acantonar no interior de nossa Casa, o Américo se postou diante da soldadesca e impediu que nosso Solo Sagrado fosse profanado pelo inimigo… Paulo Maluf – 57ª turma – 2013)

    • Renan de Melo Gomes ( Lourenço na cidadenia Portuguesa) 22 outubro, 2020 at 05:50 Responder

      Uma honra saber desta história de meu Bisavô, pelas palavras do irmão de meu amigo Edgar. Obrigado, Paulo, não conhecíamos este fato.

  2. Marcello Menta S Nco 23 setembro, 2020 at 19:07 Responder

    Quando eu era calouro, em 1983, nós fomos apresentados ao SHOW nos jardins da FM, e o Américo nos perseguia com um galho de árvore na mão , para dar umas lambadas…coisa inimaginável nesses dias estranhos de hoje, onde ninguém se conhece mais na Faculdade. Anos depois tive a honra de tratar dele na Dermatologia do HC.

    • EDUARDO BERGER 16 outubro, 2020 at 10:55 Responder

      Isso aí Marcello! Nada do que fazíamos e, também do que “faziam com a gente” seria possível ocorrer nos dias de hoje… A gente amava tudo aquilo de maneira totalmente desinteressada e sincera. Hoje, o famigerado “politicamente correto” é impeditivo para ilusões…

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