terça-feira, junho 25

LISBOA – 1968, Roberto Anania de Paula

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Chegamos em Lisboa na tarde de 23 de junho.

Entramos em Portugal com os passaportes colocados numa lista. Ou seja, não houve passagem individual. Berger, Henrique e não sei quem mais, providenciaram tudo. Dois ônibus nos esperavam. Assim que entrei, com o Mammana, uma demora: pelo visto faltava alguém. Depois de alguma espera , o atencioso chofer, em alto e bom tom pergunta: “Mas quem não está presente? ​Risada geral. Logo partimos.

Ficamos três noites em Lisboa: Parque Eduardo VII, o Elevador de Santa Justa, Av. da Independencia, a Praça do Rossio (com a estátua referida de Dom Pedro IV de Portugal e I do Brasil). Tempos depois me informaram que a estátua não era verdadeira. Fora trocada por um gajo na véspera da inauguração. A verdadeira não tinha ficado pronta. Se alguém conhece outra história, por favor, corrija. Uma noite, fomos conhecer a famosa “A Cesária”, casa de fados e “fados”.

​Visitamos também Cascais, Estoril, castelos, o museu das carruagens, a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos, etc… Ainda fomos ao Café Nicola, onde Bocage fazia sarau de poesias. E eu, sempre ligando Manoel Maria Barbosa du Bocage, o maior esbanjador de talento da língua portuguesa, somente a piadas jocosas.

​E mais, ah o Tejo! A belíssima ponte “sobre o Tejo”, inaugurada pouco tempo antes, ainda se chamava “Ponte Oliveira Salazar”; posteriormente, com a ocorrência da Revolução dos Cravos, renomeada de “25 de abril”. Alguém, inocentemente, perguntou a um gajo: -“Oh, senhor, o que se vê do outro lado do Rio?”. -“Pois, Pois – responde ele – ora, pá. o lado de cá”! Tá me gozando seu FDP. PQP! Ele fala português! Isto me lembra agora o Lech, que soltou um PUM no metrô de Paris, porque pensou que não entendiam o português… Mas escutavam bem, é claro e tinham olfato perfeito (ou não são os maiores especialistas do muno em perfumes?).

​Quando tomamos um taxi Mercedes Benz, preto com capota cor de abacate, alguém perguntou ao chofer como iam as coisas, e a resposta foi: “Poderia estar pior”! E ainda, o senhor é a favor do governo? E veio de lá: “Não vou dizer que sou contra”… E que tal Oliveira Salazar? Aí, o chofer, com o dedo indicador na boca disse: Psiu, as paredes têm ouvidos”.

​Por fim, na partida para Madrid a coisa ficou feia! No aeroporto lisboeta, onde curiosamente via-se um aviso: “Está proibido de fumar no exterior”, a passagem pela policia federal, desta vez, foi individual. Na entrada, coletiva, com aquele mundaréu de passaportes, um de nós não recebera visto de entrada. Aí, a fila parou: “SE NÃO ENTRASTES, COMO QUERES SAIRE”, ouviu-se da autoridade lusa. Confusão! Chama os “chefes”. Conversa vai, conversa vem, ufa, saímos! Logo em Portugal.

Até hoje não se sabe de quem foi a incrível proeza, de “não entrar em Portugal, porém conseguir sair”!

 

1 comment

  1. admin 22 março, 2018 at 22:38 Responder

    MOMENTO CULTURAL – Antológico soneto de Manoel Maria Barbosa du Bocage
    “JÁ BOCAGE NÃO SOU… À COVA ESCURA”

    Já Bocage não sou!… À cova escura
    Meu estro vai parar desfeito em vento…
    Eu aos céus ultrajei! O meu tormento
    Leve me torne sempre a terra dura.

    Conheço agora já quão vã figura
    Em prosa e verso fez meu louco intento.
    Musa!… Tivera algum merecimento,
    Se um raio da razão seguisse, pura!

    Eu me arrependo; a língua quase fria
    Brade em alto pregão à mocidade,
    Que atrás do som fantástico corria:

    Outro Aretino fui… A santidade Manchei!…
    Oh! Se me creste, gente ímpia,
    Rasga meus versos, crê na eternidade!
    (Roberto Anania de Paula – 2017)
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    Belas passagens! Perdi essa viagem.
    Quanto à estátua, o que a mim contaram (foi meu ex-sogro, português), é que a estátua é de Maximiliano de Habsburgo, que foi imperador do Mexico no Segundo Império Mexicano. Ele se declarou imperador em 1864. A estatua foi encomendada e enquanto estava a caminho do Mexico, o imperador foi deposto e fuzilado em 1867. Foi um império curto…
    O navio fez meia-volta e rumou para Lisboa, onde haviam encomendado uma estatua para Dom Pedro IV, nosso Dom Pedro I. Ninguém viu a diferença e o escultor ganhou seu dinheiro! (Bonno Van Bellen – 2017)

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